quarta-feira, agosto 12, 2009

O casual motivo de amar a arte.


Eu perderia qualquer desejo de viver se meu ser fosse condenado a morrer sem a luz dos palcos, sem o suor lívido na feição caricata e sem o lampejo dos mil desenhos no espaço formados pelas mãos em movimento. Não há lógica, fôlego, frenesi e nem luar para um ser mortal e vil que não saiba amar apaixonada e irrefutavelmente a arte.

A arte toca meus lábios gélidos com a ponta dos dedos como quem hipnotiza graciosamente esperando um sorriso de canto, desgrenhado e verdadeiro. E nesse emaranhado de sensações vejo-me perdida no brocardo de que a felicidade é para poucos. E os poucos são aqueles que vivem! E os que vivem, aqueles que fazem o que gostam, o que amam...e isso, definitivamente, não é laborioso trabalho. É sim, o brilho emitido pelos olhos pasmos, etéreos, cativos e relutantes. É o vigor que sobressai de uma quermesse sob o sol de um Sábado, é o solfejo das mais lindas juras de amor, é o sonho que sussurra as salvas de uma multidão posta de pé como humilde recompensa a corações latejantes, dóceis, honrados. É esquecer-se da mediocridade e dirigir-se cegamente ao revés do incomum, da falta de dinheiro; entretanto, da ausência de paz.

Calei-me pífia diante da desilusão ao perceber a paixão pela arte agonizando às benesses do descaso alheio, incompreensível. Debrucei-me sobre o medo quando vi o retrato real dos famigerados culturais e seus farsescos risos justificados pela falta de conteúdo, enquanto a sede pelo conhecimento ruge rigorosamente sobre os dias escassos. Minhas lágrimas, sobremaneira, têm a esperança intuitiva de encontrar o que procuro.

Podem roubar-me as forças, os bens...a juventude; mas nunca subtrair o fogo e a pólvora, cintilantes num triunfo de amar, incondicionalmente, a arte. Podem até condenar o que vivo como surreal, impróprio. Mas é encantador, inebriante e eficaz em convidar a felicidade para lapidar os dias comumente vazios e sem cor. A arte liberta o conhecimento abstrato e racional, claro e sombrio, lúcido e insano, altivo e melancólico, estonteante e arriscado...inteiramente voltado à graça que é viver.

sábado, abril 11, 2009

Tragédia.


A chuva parecia adormecê-la um pouco. Os olhos se entreabriam vagarosamente numa sensação ficta de cansaço e o cobertor pedia-lhe os pés. L sonhou com seu grande apartamento e a vista luxuosa obtida pelos metros de vidraça num formato côncavo próximo a sala de estar. Ela lia um livro que lhe arrancava um sorriso de canto e aquosidade nos olhos atentos e sutis quando alguém apareceu a pôs-se a delinear seus cabelos castanhos com as mãos. N vestia uma camisa branca bem passada e seu sorriso era tão alvo quanto aquela. Estava infalivelmente charmoso.
A decoração era poética, moderna, a via crucis da inveja mortal. Até as vestimentas de L e N contrastavam, reluziam com a penumbra que as lâmpadas causavam no gesso moldado do teto. N, encostando-se no enorme sofá Barddal bege escuro, fechou o livro em cuja apreciação de L debruçava e deu-lhe um beijo. O beijo, por sua vez, desmarcou a pagina do romance e marcou cada batida e respiração ofegante de L...parecia o primeiro contato dos dois; parecia o céu indeciso se era dia ou noite, parecia uma canção que nascia por si só, parecia um laço que desatava com o vento; parecia, e de fato havia cortina de fumaça delatando paixão incipiente nos botões descasados.
E mesmo nesse emaranhado de desejos N olhava para L como se a claridade saísse de dentro dele para dar vida a ela. Em forma de sussurro ela proferia: “te amo, sempre” e o fazia todas as noites antes de dormirem porque acreditava que os sonhos noturnos seriam melhores. Por conseguinte, a vida seria irrefutavelmente melhor. L assim agia mesmo quando a discórdia penetrava a mente e constituía mazela...mas suas palavras salvavam as manhãs em que o perdão apresentava-se nas emoções adeptas ao welcome.
Naquela noite, dormiram após conversarem e gargalharem ao dispor sobre as lembranças da vida. A face de L sobrepunha-se ao peitoral de N e uma das pontas do lençol arrastava-se pelo piso artesanal do quarto. Os perfumes se confundiam, o relógio poderia parar, entretanto, corria impiedosamente.
O telefone pôs-se a tocar e L tomou um susto; acordou e ainda possuía o romance sobre o seio. Na linha falava alguém do hospital chamando-a com urgência. O sonho bom esvaiu-se de sua mente quando, chegando ao hospital, presenciou N vestido com camisa branca ensangüentada, em estado inconsciente e mãos frias. Sentiu-se impotente diante de tal circunstância e aguardou revoltosamente por respostas. Horas depois, recebeu a noticia de que N falecera. L sonharia, a partir de então, a mesma coisa todos os dias até que as manhãs a dissessem que logo logo chegaria o momento de dormir novamente.

sábado, março 14, 2009

Caso pra contar.


M. um dia deferiu o pedido de R. Respirou fundo numa noite estranha em que a lua era crescente e o vento de primavera. Engraçado é que seu coração sorria estupefado enquanto as mãos suavam; o ventre se contorcia num “quente-frio” estonteante no mesmo instante em que seus olhos brilhavam. Os tempos se resumiram em incertezas, frenesi, depois certezas, detalhes, crise, festa, depois lágrimas, incertezas ressurgentes, saudade, sempre saudade, certezas absolutas...e por ai foi. O certo de todo ato, por mais duvidoso que fosse é que havia amor. Amor daqueles para arquivar, documentar, fotografar, contar aos outros, musicar, dançar, pintar, rir e chorar. M era moça que não fazia esforço pra encantar, e ela sabia disso... atrás da fragilidade e indecisão existia uma personalidade notável. R sabia que podia e tinha o poder de fazê-la feliz... atraente, inteligente e tão diferente dos outros seres humanos mortais que M assim o identificou na primeira vez que se olharam nos olhos. Havia um “Q” a mais nos dois, eu vi que havia.
Intrigante como existia trilha sonora para os fatos narrados e vivenciados por M e R. Espetacular ver o compasso dessa dança...a musica no silêncio, o sorriso desses olhos, o tremular desses lábios, a luz desses entremeios escuros, as flores e frutos dessa terra seca... Onde nada havia, suas mãos construíam, suas vidas se encontravam e suas almas decoravam o tempo e o espaço de cativantes enfeites. Uma vez até peguei uma nuvem seguindo-os para protegê-los do sol; e um dia que a chuva os pegou para tornar o momento especial!? Outra vez foi Felicidade me contando segredos até do futuro deles... desceram-me lágrimas e com elas, aquele riso que ofega a respiração.
Já peguei M chorando algumas noites de saudade, de amor, de preocupação... o consolo era que pela manha a primeira coisa que ela fazia era pedir ao vento que deixasse o recado na porta de R de que ela o amava. R sempre desejava a felicidade, o sorriso e a paz de M... fiquei inepta quando presenciei o cuidado que ele dedicava a ela. A verdade é que sempre foi metafísico e assim seria sempre. E ainda há aqueles que não acreditam no amor... bastaria estar um dia nos pensamentos de M ou R para crer.
Flagra: M escrevendo crônicas e uma insistente onda de insatisfação rondando seus sentimentos...ela sabia que era preciso mudar o rumo das coisas, que era preciso estar por perto dele. R resguarda bem suas sensações...mas vi em M que ele precisava ser acolhido pelas promessas da vida. Qual o próximo capitulo? Certamente algum que terá como desfecho o grande mistério e o real paradoxo da vida: a dor que cura, o barulho que silencia e o vento que paralisa... amor em todas as suas formas e conjugações.


sábado, janeiro 24, 2009

Presciência


23 de março de 2009, 7 da manha. O céu estava nublado e mesmo assim no meu sorriso era verão. Sorri antes mesmo de abrir os olhos porque sabia que estava em outro lugar...atrás da janela não havia mais um muro e as paredes do cômodo não eram mais verdes. Custei a compreender.
Senti rapidamente a conseqüência de saltar na vida; queria visitar Paris e morar em Nova York, um pouco menos de 5 anos...ate acordar, me sentir feliz por estar num outro lugar e desejar ir a lua, quem sabe. Depois do sobressalto, levantei-me para começar o dia. Fiquei confusa por não encontrar os objetos nos lugares de costume, mas senti-me bem com as mudanças...havia coisas para chamar de “minhas”, lugares para chamar de meus, amigos por perto, uma historia surreal de um casal apaixonado em cujo protagonismo eu me encaixava...uma varanda pra ver a vida em sua mais real efervescência, cores, sons..evidências. Chegava a hora do pensamento de praxe, a “oração” matutina de meus desejos: deixar de batalhar por uma vida-ideal-world business-super-um-saco e querer ver no que dá apostar na simples e sensata vontade de ser feliz. Viver a “realidade” é um preço que se transformou num masoquismo social... Todo mundo deixa de fazer o que gosta e o que sabe pra sobreviver, inclusive eu. Entretanto, estava eu ali disposta a mudar. Tá que mudanças nunca foram meu forte, eu sempre tremi as pernas com isso, mas também sempre fui consciente de que o caminho da mediocridade não era meu e nem nunca será.
Lá fui eu passar o dia num farsesco ambiente que rege a vida e o modo de produção do nosso século...eu sempre tive um “Q” de admiração pelo marxismo..não estranhem se eu disser que o trabalho assalariado não dignifica, mas isso a gente conversa depois. Mas enfim, “paguei a língua” indo trabalhar no ícone do capitalismo e o pior, vicei no meu trabalho. Passaram-se as horas, as pessoas novas, o ambiente novo e eu saí de la respirando o ar que almejava, o ambiente que almejava... as companhias que almejava. Era um emaranhado de coisas perfeitas, coisas difíceis, mas repito, perfeitas.
Ainda era período de férias universitárias...estaria de volta apenas em Julho e, por conseguinte, a noite estava livre. O dia terminaria com toda certeza e intensa presciência, com um beijo de boa noite no ícone dos meus esforços e amores. Dessa vez não seria um adeus..aliás, jamais seria adeus, não novamente.
24 de Janeiro de 2009, 7 da manhã. O céu estava nublado e os olhos cheios de lagrimas. Vi o muro atrás da janela e as paredes do cômodo eram verdes. Não foi um sonho, foi o futuro.

sexta-feira, agosto 15, 2008

...


Parece simples pensar numa resposta quando te perguntam o que é a saudade. Até hoje, pensei que sabia o que era.
Sabe aquele lance de que sentir fome é muito mais intenso que a vontade de comer? Acho que saudade é mais forte que sentir a falta.
Tentei por muitas vezes “tapear” a vida com reações normais e aparentemente sadias...mas a saudade, hoje, me confundiu os sentidos, me fez mastigar as jujubas em vez de lamber o açuquinha antes (como de costume), me fez perder o ônibus..me fez pegar um táxi, me fez usar um perfume antigo, me fez perder a fome (isso é bem raro), me fez sentir um gosto só porque um cheiro percorreu os ares até meus poros sentirem. A conseqüência de praxe; “arrepiei”... essas coisas de ser-humano bobo, mas exageradamente humano. Eu não queria falar que o “friozinho na barriga” também rolou, mas se é pra jogar limpo, eu confesso.
Não, não chorei. A corrosão foi só por dentro. Ri e percebi tudo ao meu redor em câmera lenta. Estava frio e o casaco não esquentava nada. As pessoas falavam, mas ressoava em mim, algumas canções iniciadas em dó. Foi estranho, mas foi real. Foi intenso, mas desmanchou as esperanças. Foi sonho e pesadelo, mortal e etéreo. Simplesmente foi e eu conheci o que era saudade.



" Lembrei do dia que te conheci
Lembrei de quando segurei sua mao
Por que e que tudo tem ser assim
Lembrei de quando vi voce partir

Mas se voce voltar
Tras de volta meu coracao
Mas se voce voltar
Nao esquece do meu coracao
Que nao quer parar
Teima em bater
Por voce" (Leo Verão)

sexta-feira, julho 25, 2008

Nothing

Busca loucura sadia, pois a realidade é fragil.

quarta-feira, junho 11, 2008

"Seja bem vinda, ...Felicidade!"


Sabe aquele livro bom??
Releiam.
Sabe aquele filme sensacional? Ou até aquele que nem era tão bom, mas que foi visto com a pessoa certa, na hora certa e no melhor lugar?
Então...relembrem.
Sabe aquele vinho bom? E aquele almoço fabuloso? Aquela festa inesquecível?
Viva e sinta tudo de novo!
Sabe aquele amor cheio de historia pra contar?
Aquele beijo que entorpece?
Aquele olhar estonteante?
E aquele cheiro que divaga o pensamento e desnorteia os sentidos?
Pois é... aproveitem.
Não só aproveitem, mas repitam a cada nascer do sol:
“que seja eterno enquanto dure”
E que dure enquanto existir eternidade...
Enquanto o calor humano for a melhor solução pra qualquer tipo de frio,
Que dure e subsista à saudade,
Que seja forte e paciente,
Divertido
Consciente!
Que surpreenda...
Que seja tão agradável como tardes de sol,
E tão gostoso quanto às noites com chuva...
Que envolva
Que permeie a certeza de forma surreal,
Que fuja do pseudo-romantismo
Pra ser intenso...incrivelmente intenso.
Que seja como um filme bom,
Mas que não acabe...
Que seja como o meu romance,
Meu desejo, meu mistério.
Alias, desejo a todos um amor como o meu...
Um “par perfeito” como o meu,
Risadas como as minhas quando ao lado dele estou..
Loucura como a minha que só encontra sanidade
Com o seu abraço,
Batimentos cardíacos como os meus quando o vejo..
Respiração cronometrada pelo simples cheiro...
Pelas palavras ao ouvido, pela proteção...
Desejo um dia dos namorados feliz pra quem namora...
Esperançoso pra quem não namora.
Mas pra mim e pra ele...
Ahhh... os dias sempre foram incomuns.
O sol desponta e nosso coração converte-se em templo
De um amor puro e suave...
A noite vem e a esperança brota de uma respiração profunda
Que anuncia: “Seja bem vinda,... felicidade!”.


Amor...sem mais palavras
Te amo. indubitavelmente.

quarta-feira, maio 28, 2008

Notas do acaso.

(Cola do outro blog...só para usuários fiéis a esse..rsrs)...a pedidos.


Nota de prioridade

Nada é suficientemente sincero como a

Insatisfação.

Imagine-se no ano de 2060. Mas também não se imagine protagonizando os jetsons, só sinta o ar pasteurizado entrando nos pulmões. Se você estiver nos plenos 20 e poucos anos como eu, imagine-se velho e feliz; jamais obrigado à fila do INSS. Perceba que a juventude não é eterna, mas que a cara amarrada além de aumentar as rugas, torna chata a experiência.

A algumas centenas de kilômetros de você, haverá lugares conhecidos…e a apenas 10 passos de você, a lembrança eternizada em papel de fotografia ou em qualquer cd que esteja sobre a mesa do escritório. A sua volta, livros empilhados, conhecimento colecionado, releitura das 5 da manha…quando o sono se esvai em detrimento da idade.

Imagine-se assistindo a filmes e tomando chás ou cafés que outrora eram intragáveis. Ou ainda, manifestando-se com aqueles clichês: “mas não era assim”… entretanto, pense em você divagando sobre as aventuras mais cabulosas de sua vida e contando-as como feito heróico. Coisas que no exato dia eram segredo de Estado, mas que agora (o futuro), traz a saudade e o bater compulsivo no peito.

Nota de relevância

Não existe a vida intensa pra ser contada,

Sem os arrependimentos que a acompanha.

Não existem outros meios de contemplar a dinâmica da vida, senão perigosamente. Para tanto, é preciso insatisfação. Por favor, não me entenda mal, a insatisfação que sugiro é aquela que joga a gente de um trampolim num salto mortal rumo à profundidade desconhecida, porém necessária, construtiva. Conformar-se é fácil demais para um ser acostumado a desafios, superações. Chegar ao ano de 2060 talvez nem passe à sua cabeça, talvez você nem chegue lá, ou ainda, você chegará tão adiante, que nem se lembrará de tudo o que já passou. Sob todas as hipóteses, a insatisfação com os lugares, com os conceitos emoldurados, com as regras, com a falta de pessoas, com o excesso delas, com o que dizem, com o que fazem ou omitem, com sei lá..o sexto dos infernos (porque o quinto já esta lotado…) e qualquer coisa a mais, faz a gente sair da zona de conforto imutável para a eterna incerteza criadora do sentido da vida; ser livre não tem preço. Chegar aos 70 e poucos anos dizendo aos quatro ventos que se viveu intensamente, também não tem preço.

Desejo aos jovens, juventude. Desejo aos anciãos, acima de marcas da idade, uma alma juvenil e saudosista.

sexta-feira, abril 25, 2008

Acontecer.


Mas por que exatamente a vida segue?
Por que nos consolam frequentemente com essa historia de que “a vida segue”?
Ela poderia simplesmente acabar quando a loucura nos sobreviesse,
Ou quando as circunstâncias se tornassem penosas demais,
Com martírios demais,
Sufocantes demais e
Com intensa sorte de menos.
Na verdade, um mundo com uma vida que não segue, jamais conheceria
A coragem
A determinação
A força
A saudade, o amor, a maturidade,
A sabedoria, as historias pra contar, o riso...o choro também;
O esforço, o sonho e a própria razão humana
De tão pura e simplesmente dedicar-se à arte de viver...
E de seguir, claro!
A serotonina precisa ser vendida por aí...
Os moldes de atuação estão mecânicos,
Severos,
Chatos. Quase ninguém mais ri à toa...
Conselho: precisamos comer feijão.
É que ouvi dizer que feijão é rico no precursor da serotonina...
E nem me pergunte quem é o tal precursor.
Mas é isso, as pessoas estão castigadas num cubículo onde se possui 24 hras para ser tudo...
Menos alguém normal.
A maioria se conforma e vai caminhando no escuro...
Uma minoria se impõe
E acaba achando a felicidade.
Felicidade...
Se a vida, de fato, não seguisse,
Seria complicadíssimo ver felicidade a passear
De saia e chinelinho.
Seria incompreensível assistir as coisas passando...
Óbices superadas...
Ver a vida seguir é caminhar com ela,
Ficar olhando é só o primeiro passo pra rabiscar
De cores o que já é, intensamente preto e branco.
Seja com passos largos, seja cautelosamente.
Seja a pé, seja de avião...
O que, na verdade, importa
É acontecer.

sábado, março 01, 2008

Anticurso de Progresso.


A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda. (Mário Quintana)


O homem anda, encontra a pedra e desmantela. Os raros que persistem em seus objetivos humanisticamente sinceros são criticados no percurso pra depois serem reconhecidos como mártires...enquanto na verdade, na mais sutil verdade, todos os homens deveriam estar no “topo” da ingenuidade... Da mesma ingenuidade percebida no filme “Meu nome é radio” (quem ainda não viu, vale a pena ver). A roda é uma “mão na roda”, é um “jeitinho brasileiro” que sempre alcança todo o Mundo. E todo esse Mundo business for all é regido pela preguiça; pela preguiça insistente, mesquinha, instintiva e é claro, cretina conforme manda o figurino...chega a ser uma nota de Dólar com a fotografia de George Bush abraçado a Fidel Castro. Mesmo assim, reina a preguiça. E viva a preguiça!.
Viva a riqueza que olha a pobreza de longe e a manda pro inferno...preguiça cartesiana de enxergar que são todos farinha do mesmo saco...ouro do mesmo cofre; que seja! Viva as necessidades cognitivas e interacionais do brilhantismo humano que criam um povo sacana. Que se eternizem os biscates de caráter!
Viva a musicalidade do “creu”. É a mais perfeita mostra da pior preguiça: a preguiça de pensar. E olha que Nietzsche avisou: “pensar dói”.
Viva a natureza solapada, a civilização egocêntrica, a globalização não-global, as negociações hipócritas, os “disse-me-disse”, os preconceitos vestidos de ética fajuta...
Enfim, viva a todas essas RODAS inventadas e fadadas ao PROGRESSO caótico: o que anda pra frente, mas não evolui.

domingo, fevereiro 17, 2008

Síndrome da adultescência (versão Samene Richard)


Há tempos que eu tento escrever alguma coisa bacana...simplesmente não consigo. Vivi dias que mesclaram frustração diurna com boas jogadas a la “bem com a vida” no fim de tarde. Olho o relógio de minuto em minuto pensando que alguma novidade vai discar o meu número pra me contar segredinhos da vida, ou então me oferecer alguma oportunidade irrecusável. Torço pra que as noites sejam longas e os dias mais curtos...o pior é que é sempre o contrario. A verdade é que as coisas andam meio embaralhadas; ou sou eu quem está sofrendo de miopia? O termômetro verifica 50° do meu corpo, e eu não estou com febre; será minha cabeça num lapso exageradamente quente?
E no meio de tantos neurônios tontos eu dou de cara com uma coisa que eu chamo de síndrome da adultescência. Nada que meus 21 anos recém completados não denunciem. Esse lance de provar pra vida que as coisas são pequenas diante da sua capacidade; de desacreditar em destino certinho, medíocre; de querer dar uma de maduro o suficiente pra fazer e acontecer; de trilhar caminhos diferentes dos de costume pra ter o orgulho de dizer que chegou ao destino esperado; de ter o prazer de olhar um adolescente qualquer e dizer a mesma babaquice: “é, eu já passei por isso.”; de ficar só e se sentir bem estando só; de morrer de rir na rodinha de amigos relembrando as idiotices remotas; enfim, de todas essas coisas que conotam independência e mostram o status no franzir da testa onde está escrito: “yes, eu mando em mim!” embora a consciência sinta um desespero quase que alérgico. É engraçado.
Essa parte da juventude tem um slogan de diversas responsabilidades fundamentais pra que a gente se torne um ser - humano “legal”. O processo é um tanto quanto esquisito, mas o “chegar lá” é sim, muito legal. Trata-se de encarar as coisas de um jeito bem simples, sem atropelar as etapas, sem inventar tropeços precoces, sem excessos, sem desânimos...sem essa cara de 60 anos estampada no kilos de preocupações desnecessárias. Ser um “adulto” não é lá um bicho de sete cabeças...mas um de dez! Só que a gente esconde umas duas cabeças com boas risadas e bons amigos, outras três com um bom romance pra contar daqui a algum tempo pros filhos; mais duas a gente elimina viajando pra qualquer lugar cujo destino esteja no rol de promoção em qualquer site de qualquer cia aérea, ônibus, ou jegue disponível; outras duas cabeças a gente corta fora do bicho quando a alma de criança aflora por algum motivo e brincamos de ser feliz na maior pose ingênua, gentil e excentricamente sincera...Ahhhh, e já que a gente precisa - estudar, pensar, contar, escrever, viajar, cantar, dançar, viver - pra tentar algum dia ser um alguém de “meia idade” satisfeito...deixaremos a ultima cabeça no lugar! Afinal, até lá teremos que merecer pelo menos um cartão de crédito sem o maldito limite da conta universitária e é claro, juízo na cabeça (que a gente acha já que tem).

quarta-feira, janeiro 30, 2008


Feliz aniversário pra mim.
Estou mesmo precisando que seja feliz.
Feliz e simples, como sempre foi.
Quero que as surpresas esse ano não sejam tão evidentes,
Que sejam mais irônicas, mais perspicazes, mais inteligentes.
Quero amigos, lembranças boas...por que não as ruins?
Preciso esquecer as obrigações e enfatizar os sonhos..
Enfatizar também, os meios de garantir os sonhos.
E amar. Amar em primeiro lugar a mim mesma,
Com especialidade, inteireza e paixão.



segunda-feira, janeiro 28, 2008

Mais verdades sobre o amor.


É interessante falar do amor..muita gente fala sobre ele até. Desse amor que basta olhar pra ter certeza; dessa aventura racional de olhar alguém cheinho de defeitos e simplesmente amar. Cuidar cativamente do olhar de alguém, como se fosse o ultimo dia da existência; tocar as mãos como se elas demonstrassem a certeza de uma proteção surreal; respirar num beijo como quem procura respostas ao momento intenso; estender os braços num abraço sinceramente inteiro. A verdade é que o amor se explica quando aquela feição de “eu sabia que você ia dizer isso” aparece no rosto; quando você entra em qualquer fria pra ver que o outro ficou deslumbrantemente feliz...quando você pára o tempo e as circunstâncias pra dizer “eu te amo” sem qualquer motivo explicativo, só o fator gerador da existência. Outro dia assisti uma comédia romântica (pela 246474849493736262528413256ªvez), que me marcou ainda na pré-adolescência.. “Um lugar chamado Notting Hill”. Falei comigo mesma que num futuro qualquer, ia saber de pronto o rapaz que me faria ser uma “amante do amor”. Adorava rever a cena em que Julia Roberts (Anna Scott) dizia: “está aqui uma garota, parada na frente de um rapaz, implorando a ele para amá-la”. Eu me imaginei dizendo isso tudo com um olhar, e deu certo; foi quase que um Deja Vu. Tem que “rolar a química”; e olha que eu já tentei inúmeras vezes desclassificar essa tese de “química”, mas não deu muito certo, ela existe e isso é fato.

É fato também que as madrugadas ficam vazias
Quando o sonho não percorre terrenos de quem se ama.
Os desejos ficam tímidos se a impulsão daquela voz doce,
Por algum acaso, não existir.
Até os detalhes super-coloridos perdem seus objetivos
Diante da falta.

Na verdade, na grande e gentil verdade, o amor é coisa viva, humana e sábia; silencioso na descoberta e estrondoso na capacidade estranha de reconhecer alguém num “pedestal” maior que o seu.
Dizer que ama é uma virtude, e só vale para corajosos.

Portanto, eternize o amor.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Entretantos...


Um verdadeiro culto à vida é cheio de entretantos. Coisas caricatas vivem acontecendo; pessoas dos mais diversos formatos vivem passando, os aprendizes nos seguem, nós seguimos os mestres, ouvimos música boa porque é pura frenesi, choramos por amor, rimos por amor, endoidamos por paixão, por preocupação... falamos seriedades, banalidades, meras palavras. Entretanto, num é que a gente esquece de viver os momentos mais up dessa nossa existênciazinha curta pra caramba?!

O espaço temporal requer a coragem dos mortais. O mundo precisa de sobressaltos, de visionários e não de entretantos. F. Pessoa já dizia: “navegar é preciso, viver não é preciso”. Navega quem viaja, quem ri, quem aposta nas miudezas, quem acaba alcançando as grandezas, quem sabe que o futuro é um barco a vela que faz a gente chegar numa ilha deserta qualquer pra viver de lembranças felizes, proveitosas e incrivelmente boas de se contar. Nada disso precisa de burocratismo intermitente, muito menos de precisão (Pessoa também já sabia disso); a gente é que vive pra complicar demais as coisas, pra diminuir as capacidades, pra engolir mais que mastigar, pra se encher de pseudo-ética, pra acorrentar a chance no pessimismo e ainda por cima fazer de conta que a vida é uma novela de final esperado, coeso e teoricamente feliz.

Tolice dizer “entretanto” para a existência. A essencial virtude de SER está nos “sobretudos”, “principalmentes”, “mais ainda”, “tantos quantos”...no carão de chegar diante das dificuldades e manda-las pra merda. Essa desumana dilação da esperança só pode ter sido criada pela mente dos mortais... pelos olhos dos que levantam bandeira branca antes do prazo, pelo erro fatal da desistência.

Nunca se esqueça de não dizer um “entretanto” pra ser de um jeito ou de outro, feliz.

Ame pelo simples fato de não pendurar nenhum “entretanto” no pescoço da pessoa amada.

Lute pelo que deseja, mesmo que o monstro do seu guarda-roupa seja um enorme “entretanto”.

Viaje, mas não leve conjunções.

Sorria, mas o fato de não estar na Bahia não é um terrível “entretanto”.

Respire, dance, cante, pague micos, pague pau, delire-se, alongue-se, clame por adrenalina, acalme-se, sinta, cheire, beije, brinque, estude, durma, fale.....

ENTRETANTO, seja feliz.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

"Acho que ser feliz é isso"...


“Acho que ser feliz é isso...”. foi exatamente assim que a Milly me disse numa dessas nossas conversas pseudo-filosóficas. É intrigante definir o que é viver, e ainda mais definir com tanta precisão e com tanta vontade expressa nos olhos de revirar o mundo. Será que sabemos? Será que vivemos? Será que...apesar de um tudo que nos rodeia, somos capazes de alcançar a felicidade? Quer saber? Sei lá. Essas histórias que a gente escuta na infância nos posiciona tão esperançosamente diante da vida, que gostaria de voltar a ser pueril. É intrigante perceber que, ao longo do tempo, o sol vai deixando de ficar amarelinho...e pára de sorrir também; a gente vai abrindo mão de ler os outdors nas ruas com aquele entusiasmo de descoberta... começamos a achar que, de fato, somos alguma coisa que não depende de outras muitas coisas. Num belo dia queremos sair de casa e gritar pra todas as avenidas uma liberdade tão jovem, tão lúcida, tão racional. Olhamos no espelho e sequer vemos alguém que, daqui um tempo, receberá visita de netos. Talvez fiquemos ricos, talvez só bem sucedidos, ou ainda vivendo no limite do conforto ou o simples em sua literalidade. Que a miséria seja utópica! Quem dera fosse. Provavelmente seremos bonitos, desde que a TV seja deixada um pouco de lado. Bem talvez isso.. Enfim.. já tentaram dizer tantas coisas sobre a felicidade...há uma versão pra todo gosto; para as revistas de beleza, para os bancos e o sistema, para as universidades, para a astrologia, para os filósofos, para a psicologia,...e falando nela, até Freud foi mesquinho em sua posição acerca da felicidade. E ainda tem uma porção de opiniões sobre o futuro e o mais difícil:..sobre como ser feliz nesse “tabuleiro de xadrez”, vulgo, futuro.

Nesse clima excêntrico de Natal todo mundo quer ser Amélie Poulaim e mudar a vida das pessoas sem passes de mágica. Se for assim, todo dia deveria ser 25 de Dezembro. Nessa época as pessoas ficam aparentemente felizes, realizadas, frenéticas, “iluminadas” pelos enfeites, pelas ruas, pelo brilho nos olhos. Ninguém sabe explicar como as pessoas amam mais suas famílias em dezembro, mais que no resto do ano; os presentes e/ou doações parecem ter vida e principalmente, as ações humanas apontam para o melhor em comparação ao empedernir dos ideais. A verdade é que a felicidade chega e habita em quem diz: “opa...é aqui mesmo.”

Não é preciso ter um carro pra ser feliz...

As melhores conversas surgem quando se caminha sem rumo com alguém que se ama;

Não é necessário agrupar grande fonte de renda pra ter uma vida estável...ou talvez, madura emocionalmente...a mediocridade vem sempre antes que você diga: “se eu pudesse voltar...”

Viajar é preciso, e isso é serio! Gaste com isso.

Não precisa escovar os dentes apressadamente..

Os sorrisos que você dá precisam ser transparentes, sinceros e duradouros.

Chorar faz parte, e chorar muito também, desde que seja um choro fundamentado ...

Enquanto dure a tristeza, a saudade, a felicidade ou sei lá o que.

Você não precisa parar pra pensar...na realidade tudo que você precisa é pensar e agir...nunca parar. A vida é curtinha demais pra ficar boiando.

Pra ser feliz a gente não pode ter medo: tem que oferecer abraço, a mão, os beijos a quem merece, o diálogo, o colo, a sobra dos doces do aniversário...

Pra ser feliz tem que viver em paz, tem que equilibrar as reações que os obstáculos causam. Acredite! Alguém sofre mais que você...o mundo não vai cair sobre sua cabeça. Justo na sua!

Acho que ser feliz é ser simplesmente...ontologia pura e simples. Utopia também. Mas o maior incentivo de procurar a felicidade....com certeza está na nossa capacidade esplêndida de fazer alguém feliz. Gerar um sorriso alheio é bem mais emocionante que sorrir. “Acho que ser feliz é isso”... é ou não é Milly?.

domingo, novembro 11, 2007

Eu?


Sou a personificação da poesia,
Alguém me disse isso um dia...e quando disse,
Sorri.
Sou um estereotipo de cabelos longos e sorriso marcante
E ao mesmo tempo.. uma internalização de desejos impossíveis.
Sou menina que sente frio na barriga quando vê o rapaz,
Que foge da realidade quando precisa descansar...
Que pensa demais, que sente demais e que ama demais.
Sou teimosa em detrimento de caprichos,
Chorona quando a adversidade me atinge...
Entretanto paciente pra ouvir o que for preciso.
Calculo atitudes como se fossem peças de um imenso xadrez...
Decoro as falas da vida como se ela fosse uma peça teatral;
No fundo acredito que é.
Sou ansiosa, chata e invocada...
Mas sou também amiga o bastante pra desfazer lágrimas...
Suave, sonhadora, gentil e impressionante.
Sou organizada com as coisas que considero convenientes;
Adoro verbinhos auto-imperativos: dançar, ler, namorar, acreditar, fazer e acontecer.
Sinto-me satisfeita quando alguém me diz que sou diferente...
Essa é a meta de quase cem por cento das pessoas;
As diferenças são o “q” que fazem acontecer a existência dos seres.
Sou dramática.
Amo detalhes, matizes, surpresas, performances...
Odeio gente sem graça...
Sem vontade, que dá vazão à mediocridade.
Sou indecisa, teimosa.
Minha voz é tão fina que nem nervosa assusta;
Minha alma é tão doce que se desfaz nas homenagens.
Tenho o sabor de fruta no beijo...
E no olhar carrego o desejo de ser alguém maior do que sou.
Conto piada e ninguém ri,
Mas sei dizer a coisa certa na hora certa...
Nem sei de onde vem a vontade de escrever,
Só sei que ela vem.
Confiança nas pessoas é uma coisa que custo a ter
Embora seja difícil tira-la.
Adoro verde, sorvete, banana, dia frio, chocolate
Risada, balada, livro, segredo, blush, roupa nova,
Dança descolada, palavras complicadas, charminho,
Direito, esquerdo também, biscoito recheado, filmes,
Afins e etc e tals.
Eu acho que é assim que eu sou.

sábado, setembro 22, 2007

Aniversário


É engraçado pra caramba fazer aniversário. O mais engraçado é porque presenteiam você justo no dia em que você fica mais velho, mais preocupado, mais responsável, com mais células mortas, com mais probabilidade à labirintite, osteoporose, câncer 0o..e por aí vai. O dia em que todo mundo te deseja felicidade é justo aquele que marca o fato de você ter menos um ano em sua efêmera vida e pobre existência. Não pô!..eu não sou niilista muito menos pessimista, ah bixo, eu sou sincera..rs. As vezes eu fico pensando cá com meus botões..a gente carrega uma caixa cheinha de coisas pra usar desde o nosso nascimento até a nossa “inexistência” real. Para os mais novinhos, a caixinha está cheia de chupetinha, de comidinha melequenta, de boneca sem braço, de carrinho sem roda, de “pereba” no joelho, de bichinho de estimação e uma boutique variadíssima de imaginação. Quando a gente começa a achar que é “gente”, o braço alcança mais fundo a fantástica caixa da vida e dá pra pegar umas espinhas aqui, umas chatices dali, descobertas, namoricos, provas, professores chatos, pais incompreensíveis, umas aventuras sem pé nem cabeça, uma falácia de “não conta pra ninguém” ou então, um inventário de um tal de dialeto giriático que só a “galera” saka, saka? Divertido é perceber que até então, os 18 e belos aninhos são insistentemente esperados. A partir daí, são “outros quinhentos”; a caixinha vira um caixão (caixa grande ..rs) e traz umas pataquadas de responsabilidade pra cá, de preocupação com o futuro pra lá.. auto-cobranças sentidas aos quatro ventos. Na cabeça, o que rola é uma necessidade de independência, de uma liberdade que, com certeza, o fará sentir-se adulto. O anseio pela felicidade se torna minuciosamente mais concreto; os objetivos, mais definidos, sonhadores..algumas vezes utópicos, outras vezes tão simples. É um Deus-nos-acuda!. Mas sim..eu vou parando aqui mesmo, nessa juventude imortal, pra que ninguém pense que eu tenho 50 anos..0o. Mas nem sou eu que faço aniversário, nem sou eu que estou com responsáveis 21 anos,... mas alguém que está intrinsecamente ligado a mim pelo “acaso que brincou”. É ele, Bernardo (meu gato, cherôso – lindo e que amo) que precisa apagar as velinhas e pedir a Deus um renew da AVON...senão ta lascado. (zuerinha). E há tantas coisas boas pra fazer num aniversário...sim, porque apesar de todos as mazelas que a vida passando diante dos nossos olhos pode trazer..usar bem o “kit” da caixinha super-mágica faz um bem que não ta escrito! Enfeitar os dias com sorrisos, paciência...adornos de burrice pra que elas sejam reevistas...perdas, ganhos..banhos! cultura, arte, beijo, chocolate, mãos dadas com o vento, all star sujo, amigos, pessoas chatas, abraço, coca cola, ar, hu-hu-hu, bla bla bla...e o que vier. Não sabe viver quem não ousa ser aquilo que pode...e não o que deve ser. Não merece “feliz aniversário” quem não valoriza os detalhes pra que a vida demore a passar...

Ofereço essas reflexões exasperadas ao meu grande e eterno amor: Bê..

Porque ele sabe viver.

Parabéns meu anjo. Um chêro de grande amor e saudade.

domingo, agosto 19, 2007

Entremos na Kombi amarela.


O segredo do sucesso é o mais procurado de todos os segredos. Ser um vencedor é o que todo mundo deseja. Os valores cultivados por uma sociedade abobalhada pelo prazer de ter, diz exatamente o que o ser humano é. E sim, precisamos entrar na Kombi amarela. Quem já assistiu a comédia-drama “Little miss sunshine” sabe do que eu estou falando. Ah! E outra coisa também que deveriam saber é o que eu sinto cada vez que olho a vida “passando”... eu vejo os vitrais das janelas deformando as pessoas; vejo-as pensando uma coisa e fazendo outra, vejo que muitos valores se perderam e cederam, portanto, seu espaço para os mal falados preconceitos. Assisto os acontecimentos como quem vê um quadro de Salvador Dali e seus super olhos surreais...já que a racionalidade deveria ter levado o homem a seguir outros passos. Suponhamos que, como no filme, estaríamos em busca da vitória num concurso de beleza; todos queremos ser “miss sunshine”, todos desejamos coisas que “na real” são menores que nós...são meras e vãs futilidades sobressaltadas por psicologismos de auto-ajuda, mas mesmo assim, ansiamos demasiadamente por elas. É claro! Se é isso que nos é ensinado a vida inteira... buscar “alamode” (o que está em alta, ou na moda) torna-se muito difícil mudar... até porque mudar Dói..(parodiando Nietszche). É então que, em busca de sonhos inocentes, nos aventuramos a aprender com nossos próprios erros e pagar o preço que for pra ver a estrada da vida diante de nossos olhos pueris. Pegamos tudo que temos e quem amamos e/ou achamos importante (já que não podemos viver só) e jogamos dentro de uma Kombi amarela; ela é nossa única ponta de esperança, nossas pernas pra chegar lá, nosso instrumento...nossa possibilidade de visão. O engraçado é que cada vez que tentamos realizar sonhos incitados pelo inteligentíssimo sistema que nos rege, passamos por transformações profundas durante o processo de conquista... no caminho; a grande luz-oráculo “Kombi amarela” mostra através de suas janelinhas que a estrada é longa, difícil e cheia de renúncias. O legal é que, ao viajar na Kombi amarela enxergamos o que somos e que devemos fazer...: primeiro; somos humanos e segundo... necessitamos voltar à ingenuidade.. precisamos entender que, por mais que as perdas se acumulem, somos vencedores por tentar e, sobretudo, por não anular nossa personalidade. Entrar na kombi amarela mesmo sabendo que ela é velha, “brega” e que precisa ser empurrada pra sair do lugar é entrar na vida consciente dos obstáculos, dos valores e desiludido das futilidades, do que não importa...do que faz o ter sobrepor-se ao ser. A viagem pelo excêntrico veículo de cor amarela nos faz sair de um ponto inconformado da nossa existência, chegar à plena conclusão de orgulho do que somos (sem camuflagens) e voltar ao ponto de onde saímos, como pessoas melhores que outrora éramos. Olive é a grande protagonista do longa, uma garotinha que desejava ser miss sunshine... entrou com toda a sua família ironicamente “anormal” numa velha Kombi amarela em busca de um sonho (ganhar o concurso de miss mirim)...e seus familiares, em busca de auto-afirmação. Ela voltou como a “perdedora” mais vencedora de todas... descobriu quem realmente era... e não quem idealizava ser.

Se cada ser-humano fosse sinceramente ridículo... seria de grande dignidade dizer que vive em vez de dizer que atua na vida.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Negação

Nossa!...nem me lembrava mais como postar aqui. rs. As agitações da vida, as viagens, os pensamentos voando por outros ares, as idéias um tanto quanto melancólicas e inacabadas. Sim, mas não morri, e enquanto eu viver escreverei amadorismos sinceros! haha. Se vão gostar de minhas negações? Não faço a menor idéia...., mas esse texto pequeno foi tudo o que eu queria dizer às justiças da vida. Sim, justiças e não injustiças. Justiças ao meu ego despedaçado, saudoso e cheio de um porvir sonhado em todas as noites....

Nunca mais escrevi poemas de amor porque não os achei em mim. Nunca mais quis assistir os filmes de amor porque a fantasia já paira continuamente em minha mente; as coisas poderiam piorar. Há tempos que não ouço canções de amor... há de ser por causa da voz dele, que parece estar em todas as musicas que tocam ao vento. Lembrei-me hoje, que eu costumava dançar pensando numa platéia composta por uma só pessoa: ele. Se parei de dançar? Não, nunca; entretanto minha platéia ficou vazia. Quantos pensamentos líricos de antes...! Agora meus sonhos são menos alados e minhas esperanças, com certeza, mais intensas. Na verdade não sei ao certo se são esperanças fortes ou desesperanças camufladas. Sei e não sei ao mesmo tempo...fecho os olhos e não consigo ver mais nada, ouvir mais nada, sentir mais nada. Ahh...e também aprendi a mentir...aprendi a empedernir a alma numa tentativa de lassitude emocional. Mentiras são estas... menti ao dizer que todas essas coisas foram esquecidas, ou que tiradas do meu cotidiano. A verdade é que sempre digo mentiras para a saudade. A verdade é que os poemas não me abandonam, as canções estão sempre passando e a dança nunca esteve tão sincera. Dane-se esse amor que faz sofrer! Mas pobre de mim se ele não existisse; se ele não fizesse dessa vida medíocre, um poço de sentidos, de existência...de motivos. A razão manda calar-se o momento em que eu olhei nos olhos dele devorando sua essência pela primeira vez....a explosão da alma ordena ao coração que viva a mais sublime e redundante razão natural de amar. Mandaria todos esses milhões de adornos, de flores, de lua, de estrelas e de mel irem procurar seus devidos e coerentes lugares. Triste e feliz, calado em sobressaltos, firme e derretido é o vigor que o perfume dele traz, que o sorriso dele tem e que a certeza de uma vida inteira é vista em seus olhos. Queria não ligar pra essas coisas do amor, queria viver à sombra do gozo sublime, queria a frieza perpetuada em meus dias. Na verdade, estaria pois, a querer a morte...mas sei que no amor, há mais beleza e vida que a própria dor.

Dedico esse texto aos eternos amantes que acreditam no amor sem tantas "flores", mas q sabem porque vivem, e vivem por quem amam...



terça-feira, junho 12, 2007

Música, poesia e o amor.

Nesse exato momento ouço musicas...
Melodias, notas, vozes e letras que falam de amor...
Chuvas de poesia...
Bem-me-queres da harmonia
De um azul colossal mostrando afeto em mil e um dizeres.
Lembrei-me pois que “o amor é fogo que arde sem se ver...
É ferida que dói e não se sente”.
Senti-me, portanto, incapaz de falar sobre o amor.
Vi livros e livros bem comportados nas prateleiras das livrarias...
E saltei-me o olhar para as poesias;
As métricas, as rimas...a sintonia que faz dos parágrafos curtos...
Fantasia.
Eu e você...
Letra e melodia
Métrica e rima
Dança e compass
“Meio por acaso”!
Sim, o mesmo “acaso” que brincou..
Ironizou e juntou os destinos perdidos.
E quão perdido se achava meu coração
Até você encontra-lo!
Que seja! “que seja infinito enquanto dure”!
E do infinito lê-se eternidade...
Que em meio à saudade... torna-se por demais miúda a tristeza.
Então tocou: “e eu que era triste...descrente desse mundo..
Ao encontrar você eu conheci...
o que é felicidade meu amor..”
Abri as portas da vida...
Debrucei-me em doce aconchego
Da felicidade que você me traz.
E é por isso que “eu sei que vou te amar...
Por toda a minha vida.”